Tuesday, May 12th, 2026

Hollywood Mergulha Fundo: Do Novo Vilão de Aquaman à Inesperada Lula Animada de Bong Joon Ho

Parece que os grandes estúdios resolveram que o fundo do mar é o lugar mais rentável para se estar nos próximos anos. A construção de mundos subaquáticos anda a todo vapor, e a escalação de elencos para essas produções começou a revelar algumas jogadas bem interessantes. Se de um lado temos o blockbuster de super-herói apostando no peso físico, do outro vemos o cinema autoral decidindo subverter a animação familiar.

A Warner Bros, por exemplo, segue encorpando as fileiras da DC. A notícia que dominou os bastidores foi a adição do dinamarquês Pilou Asbæk ao já populoso reino de Atlântida para a sequência de Aquaman. Faz muito sentido quando você para e lembra que o cara ganhou o mundo encarnando o lunático Euron Greyjoy na sexta temporada de Game of Thrones. Ele já tem o perfil caótico de quem entende de batalhas navais. Obviamente, a carreira dele não se resume à HBO. Asbæk bateu ponto em produções intensas como A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell, Ben-Hur e Operação Overlord, além de ter dividido a tela com Anthony Mackie no filme Zona de Combate, da Netflix. Na televisão, o currículo ainda ostenta a série Os Bórgias.

James Wan reassume a direção e a produção do longa ao lado de Peter Safran, com o desafio óbvio de repetir o milagre financeiro do primeiro filme. A estreia do alter-ego de Arthur Curry em 2018 custou cerca de 200 milhões de dólares para ser feita e varreu as bilheterias, batendo a absurda marca de 1,14 bilhão em arrecadação global. O roteiro de David Leslie Johnson-McGoldrick continua sendo um mistério, mas a artilharia pesada na frente das câmeras já está confirmada. Jason Momoa puxa a fila como protagonista, Amber Heard segue no papel de Mera, Yahya Abdul-Mateen II veste novamente o traje do Arraia Negra e Patrick Wilson retoma seu Mestre dos Oceanos, junto com o Rei Nereus de Dolph Lundgren. O lançamento mirou dezembro de 2022, numa época em que a expectativa do público era puramente focada no espetáculo visual de CGI.

A Profundeza Autoral do Pacífico Sul

Enquanto o cinema de herói lida com a pressão da bilheteria massiva, uma movimentação infinitamente mais curiosa acontece nas águas da animação. Sete anos. Já faz todo esse tempo desde que Parasita atropelou o Festival de Cannes em maio de 2019, fez história no Oscar e cravou seu lugar nas listas de melhores filmes de todos os tempos. Há quem diga com tranquilidade que foi a obra mais importante da última década. Depois do hiato que culminou no lançamento de Mickey 17 agora em 2025, ninguém sabia ao certo quanto tempo levaria para ver algo novo de Bong Joon Ho. A surpresa é que ele já engatilhou seu novo projeto em língua inglesa, e é um mergulho completo num formato inédito para o diretor.

O sul-coreano escalou um elenco de vozes para o filme Ally que soa quase como um delírio coletivo genial. A gente não vai ver o rosto dessa galera, mas o peso no estúdio de dublagem é bizarro. Ele trouxe Ayo Edebiri, de The Bear, a dupla dinâmica de Guardiões da Galáxia Bradley Cooper e Dave Bautista, além de Finn Wolfhard de Stranger Things e Rachel House, que acabou de sair de Ein Minecraft Film. Quem dá voz à personagem título é Alex Jayne Go, conhecida por Buscando… Mas o trunfo absoluto aqui é Werner Herzog. Colocar o lendário diretor de Fitzcarraldo — dono de uma daquelas vozes rascantes que até a produção de The Mandalorian soube aproveitar na primeira temporada — num épico animado é um nível de ironia brilhante.

E o que essa galera vai dublar? A protagonista Ally é uma lula. Uma pequena lula super curiosa que vive nas fossas do Pacífico Sul com a ambição bem específica de conhecer a luz do sol e se tornar a grande estrela de um documentário sobre a natureza. A calmaria abissal dela vai para o espaço quando um avião misterioso simplesmente afunda no oceano. É o estopim para uma jornada que, segundo as prévias, vai arrastar a lula e uma equipe totalmente improvável de criaturas marinhas até a superfície.

Bong escreveu esse roteiro em parceria com seu ex-assistente Jason Yu, que recentemente estreou mandando muito bem na direção do terror Sleep. A promessa do estúdio vende o projeto como uma grande aventura familiar, recheada de cenários aquáticos absurdos e sequências de ação épicas que equilibram muito humor e carga emocional. O nível de detalhe chegou ao ponto da equipe basear fortemente o design e a personalidade do elenco em biologia marinha real. Resta saber como a acidez social que é marca registrada de Bong Joon Ho vai se dissolver num formato teoricamente mais digerível, deixando no ar o que ele realmente quer nos mostrar lá no fundo.