Irene González Pino, Diretora, no Brasil, do Banco de la República Oriental del Uruguay e do Espacio Uruguay São Paulo, têm a satisfação de convidar a todos para a abertura da Mostra “TROPIKUS” com Obras do Artista Plástico Ananda Seidl.

A EXPOSIÇÃO APRESENTADA POR ENOCK SACRAMENTO

“A arte tem um enorme e persistente poder de sedução. Não são raros os casos de pessoas que se aproximam da arte na infância ou adolescência, que se afastam dela por alguns anos, por razões diversas e, depois, a reassumem de forma definitiva.

Entre nós, o caso de Tomie Ohtake é referência obrigatória.

Tomie se acercou da arte na infância, depois se afastou dela para se dedicar ao outras tarefas tais como atividades domésticas, o casamento, a criação dos filhos.

No Brasil, em 1952, com quase quarenta anos de idade e os filhos já criados, voltou aos pincéis para nunca mais os abandonar.

Pintou e criou tridimensionais por sessenta e três anos, até a sua morte, tornando-se a primeira dama da arte brasileira.

Este é também o caso de Ananda Seidl, que praticou o desenho e a pintura em criança, que reaproximou da arte na primeira fase da idade adulta, período em que procurou aperfeiçoamento técnico, que se distanciou novamente dela em função de circunstâncias profissionais e familiares e que, finalmente, foi cooptado por ela há três anos, aos 57 anos de idade, período em que contou com a orientação de Dudi Maia Rosa no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Esta nova confluência com a arte encontrou Ananda mais maduro, mais estruturado, com vivência estrangeira, temperado na administração de negócios e no exercício do Direito e com o olhar apurado em numerosas visitas a museus, feiras de arte e exposições em vários países. Neste momento em que faz sua primeira exposição individual, ele se encontra num processo de reflexão sobre o sentido da vida e da arte, sobre o rumo a seguir, imantado pela ideia de que o ser é a totalidade enquanto o estar é um momento provisório.

A consciência ecológica, a natureza, a flora, a fauna, os signos, os sinais e também o homem são fulcros das treze pinturas e da instalação que Ananda reúne nesta mostra. Intitulando-a de Tropikus, ele quis trazer para mais perto de nós o seu conteúdo, o seu significado.

Afinal, vivemos num país em que a maior parte do território encontra-se entre o trópico de Capricórnio e a linha do Equador, no qual predominam as altas temperaturas e as chuvas abundantes, que variam naturalmente dependendo da região e da época do ano.

Vivemos, com efeito, num país tropical. Um país de muita luz e de cores fortes, que impactaram Tomie quando ela chegou por aqui, em 1936, proveniente do Japão.

Mas também num país que ainda enfrenta graves problemas ambientais, sociais e políticos que remetem ao notável livro “Tristes Trópicos”, do antropólogo e filósofo belga-francês Claude Lévi-Strauss, que esteve no Brasil de 1935 a 1939 e que o publicou anos mais tarde.

Nele Lévi-Strauss expôs, de forma exemplar, os dramas de um país que vivia – vive ainda – “uma ocupação desordenada responsável por sinais de degradação e, principalmente, de desrespeito à sua exuberante natureza”. Mas como a linguagem de Ananda não é sociológica, mas artística, ele grafa o título da exposição com “k” e “u” e tira o acento do “ó”. Tropikus é o seu nome.

A mostra inclui ainda dois objetos artísticos, um deles muito expressivo, formado por um toco de madeira que lembra um corpo feminino e, concomitantemente, um falo, entre outras coisas, e uma peça metálica semi coberta por resíduos vários, recolhida por Ananda no Rio Tamisa, em Londres, numa de suas andanças pelo mundo.

O objeto tem uma aura ritual, misteriosa,instigante e bela que desafia nossa compreensão ao tempo em que libera nossa fantasia.

Sua riqueza simbólica talvez projete os sentimentos mais profundos do artista diante de um mundo que teima ainda em desrespeitar a natureza e a vida.”

Enock Sacramento

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